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quinta-feira, 11 de maio de 2017






... 2017 com NOVOS PROJETOS sob pseudónimo de
                                                                        VERÓNICA SU-KIRA




sábado, 15 de fevereiro de 2014




Autorretrato








Caro Leitor,


Devido a novos projetos não poderei dar continuidade a este blog. Agradeço a todos os que o acompanharam ao longo destes 4 anos e espero continuar a tê-los como leitores num futuro próximo e num outro contexto.

Obrigada.

Maria

 

quinta-feira, 10 de outubro de 2013

Eu, amputada social

OBRIGADA!
M Dhramamor (autorretrato)

2013. O desencanto a acompanhar os factos da vida, o desencanto das noites perdidas em cálculos economicistas delirantes numa desesperada busca de meios de sobrevivência. Eu, entre milhares, que na calada das noites e na luminosidade vibrante dos dias calcorreia a mente, procura caminhos em becos sem saída. Os valores de Abril a desfazerem-se como bolhas de ar num mar tormentoso. A crise que nos atira para outras crises concretamente existenciais que há muito julgáramos ter ultrapassado.

O mundo transformou-se numa pequena bolha onde tudo acontece de forma vertiginosa, a desumanização a tomar o poder e nós a cairmos na habituação como se nada pudesse ser alterado. Somos possuídos pelo sentimento coletivo utópico que atinge os desesperados.
A fome que nos atinge, não só o estomago, não só a alma; uma fome de ser, de estar, de viver; o olhar ausente dos idosos sem esperança, as crianças que deixam de ser crianças para viver o doloroso dilema da miséria doméstica, o nascimento crescente de seres de membros amputados pela austeridade governamental cega e assassina.

ECCE HOMO!

Eu, amputada social, deixei-me mergulhar nas tormentosas ondas da desesperança e deixei que as palavras fossem diluídas no meu torpor mental para se transformarem em passos determinantes nas calçadas de Lisboa, no meio da multidão que esbraceja e reclama o pão.

Eu, amputada social, na minha luta pela sobrevivência deixei de escrever neste blogue, determinada a escrever palavras transparentes no ar que respiro, ciente de que, um dia, acordarei com uma nova realidade, porque a desumanização de uns trará uma nova perspetiva social, justa, equitativa e a palavra utopia será banida por aqueles que sempre acreditaram no meio do descrédito.

Eu, a amputada social, entre milhares, perdi o direito à habitação, ao trabalho, e por consequência a uma vida condigna vejo-me obrigada a pular as barreiras constantes que encontro pelo caminho, cada vez mais altas, mais dilacerantes.

Por momentos, perdi o rumo.

Por momentos, caí na tentação de deixar-me resvalar para o fundo do poço.

Por momentos, simplesmente desisti.

E pensei…

E se todos desistirmos?

A vida será nada e todos os valores serão simplesmente diluídos como se nunca tivessem existido. E será uma deslealdade para com aqueles que um dia ofereceram as suas vidas para que o mundo fosse um lugar melhor.

Ao abrir este blogue após meses de silêncio, descubro que a vida não parou. Encontro mensagens que me fazem sentir que a inutilidade não existe em mim.

Agradeço em todos os idiomas aos milhares de leitores deste blogue das diversas partes do globo, pois são o motor que o movimenta, que o mantém.

Obrigada.

Maria Dhramamor

quarta-feira, 5 de dezembro de 2012

A Primeira Realizadora de Cinema em Portugal


imagem: pauloborges.bloguepessoal.com


Bárbara Virgínia (Lisboa, 15-Nov-1923)

Um marco na história do cinema português. Uma grande razão para não deixar que o tempo apague da memória nacional aquela que FOI, É, e sempre SERÁ Bárbara Virgínia - a primeira 'Mulher' a realizar um filme em Portugal, com estreia retumbante em 30 de Agosto de 1946, no antigo Cine Ginásio (Rua Nova da Trindade), em Lisboa.

Hoje poucos conhecem a realizadora (e atriz) de ‘TRÊS DIAS SEM DEUS’, uma história de superstições, preconceitos e… imagine… Suspense! - que teve a audácia de penetrar num universo complexo, dominado por homens e regido por uma sociedade preconceituosa, em que o próprio sistema político remetia a mulher à total submissão do masculino, exaltando o seu papel na vida doméstica de sujeição e longe de todos os horizontes.

Bárbara Virgínia tem 89 anos e vive atualmente no Brasil. Em janeiro de 2001, foi relembrada com a passagem inaugural do seu filme TRÊS DIAS SEM DEUS no ciclo de cinema no Forum Lisboa,  denominado "Cineastas Portuguesas 1946-2000’, consagrado ao cinema Feminino (Bem-Haja!)

Nascida no seio de uma família burguesa, é batizada com o nome de Maria de Lourdes Dias Costa, adotando posteriormente o pseudónimo de Bárbara Virgínia.

Frequentou o Conservatório de Lisboa, onde estudou dança, teatro, canto e piano, e, aos 15 anos, já era uma promissora voz na Emissora Nacional. Só mais tarde, durante a fase de atuação como intérprete de trechos de ópera e como declamadora, decide optar pelo pseudónimo de 'Bárbara Virgínia'. O Teatro Nacional de São Carlos acolhe-a como bailarina clássica, testemunhando-se assim, mais uma vez, a sua versatilidade artística.

Colabora ainda na revista ‘Modas e Bordados’ como redatora, revelação de mais uma das suas facetas.

Estreia-se no Teatro com a peça ‘O Ladrão’, na Companhia Alves da Cunha e atua na opereta de Silva Tavares ‘Sua Majestade o Amor’, alcançando uma popularidade que lhe abre portas para o mundo do cinema. O filme ‘Sonho de Amor’ projeta-a decididamente para a fama.

Imparável, Bárbara Virgínia prossegue como locutora de rádio no programa popular ‘Comboio das Seis e Meia’.

Após um recital no Teatro S. Luís, a convite de um empresário brasileiro, parte para o Brasil, onde assina um contrato com a antiga TV Tupi, prosseguindo com uma carreira artística de sucesso.

Filmografia

Como realizadora
1946- Três Dias sem Deus (Festival de Cannes, em 1946)
Como actriz
1945 - Sonho de Amor, de Carlos Porfírio
1946 – Três Dias sem Deus, (realizadora e protagonista)
1947 - Aqui Portugal, de Armando Mirando

Fonte
  wikipédia
www.http://pauloborges.bloguepessoal.com (no site de Paulo Borges poderá ler os comentários de quem conhece esta nobre senhora)

Retrato


Maria Dhramamor (Por MIGUEL WESTERBERG)
www.miguelwest.blogspot.com



Na luminescência do inconsciente, rasgos de luz, um sol a fugir-me das mãos...
(Maria Dhramamor)

segunda-feira, 3 de dezembro de 2012

Excerto


 ... Do romance FRAGMENTOS DE CRISTAL (de Maria Dhramamor)



DA MORTE DE ONDINA....

Quando em ti penso,
Amor meu,
Esvoaço.
Voltívola borboleta de translúcidas
Asas,
Buscando nenúfares em pluviosas nuvens
No espaço.
Ah, romeira,
Débil suspiro,
Breve quimera,
Fogo que minhas asas
Queima,
Dolorosa volúpia que minha alma
Fende,
Indizível prazer que meu corpo
Rasga
E explode num grito.
Oceano imenso,
No teu olhar mergulho.
Meu mar profundo de serenas águas.
Selvagem fragrância,
Incenso,
Minha obsessão,
Meu rito,
Desfalece minha alma
Quando em ti penso,
Amor meu.


DO DESESPERO DE EURICO
“Também eu... também eu, esvoaço, amor meu, quando em ti penso.”

Eu sou Orpheu e seguir-te-ei com a minha lira até às profundezas do Hades, desafiarei a morte, enfrentarei Plutão e passarei indiferente por Cerbero o guardião assassino, para te buscar nas negras cavernas da morte.



domingo, 12 de agosto de 2012

Memórias - Phillis Wheatley


Phillis Wheatley (escrava e poeta) 
Poeta (1753-1784) - Senegal/ Gâmbia?

Tesouro de ébano

Supõe-se que Phillis Wheatley tenha nascido na Gâmbia ou no Senegal...  Afinal, que importância tinha a data de nascimento de um escravo?
Tal como sucedera a inumeráveis seres humanos, Phillis Wheatley foi arrancada das suas raízes a ferro e fogo e vendida como se vende um objeto perecível e descartável, embora não passasse de uma criança. E assim partira para a América do Norte, rumo a uma sociedade profundamente esclavagista e cruel. Contudo, a vida de escrava abre-lhe as portas para um mundo que lhe permitirá perpetuar a sua existência de forma brilhante.

Phillis havia sido uma prenda de John Weathley à sua mulher e, como acontecia com muitos escravos, o seu 'dono' concedera-lhe um nome (o do navio negreiro que a transportara) e o seu apelido. Não obstante, John Weathley era um progressista cujo conceito em relação ao feminino ultrapassava as mentalidades da época, e ao aperceber-se das aptidões de Phillis, permitiu-lhe uma educação esmerada independentemente da sua condição de escrava. No início da adolescência já lia autores clássicos como Homero, Virgílio, Alexander Pope, entre outros, mostrando particular interesse por temas bíblicos; e perante o seu talento para a escrita, foi retirada do trabalho escravo e permitido o seu desenvolvimento educativo. Jovem ainda, começa a escrever poesia, influenciada por vultos literários e desperta o interesse não só de amigos e familiares do seu mentor como de personalidades da época.

Surpreende, ao publicar um poema dedicado a George Washington, primeiro presidente dos Estados Unidos da América, que exprime os seus agradecimentos convidando-a a visitá-lo em sua casa. A imprensa aplaude P. Weathley, agora poeta conhecida e discutida em salões, e John Wheatley decide libertá-la da escravidão. Em 1773, Nathaniel, um dos filhos dos Wheathley, tem de se deslocar a Londres por questões de saúde e Phillis acompanha-o. Será o início de uma era esplendorosa, em que parte da sua obra é publicada em Londres.

Na época, era difícil aceitar que um indivíduo de raça negra fosse um ser inteligente ou sensível, tendo sido a autoria do seu trabalho contestado. Phillis Weathley tem então a ousadia de se tornar a sua própria defensora para provar a autenticidade dos seus poemas. Enquanto alguns membros influentes da sociedade americana tentavam suprimi-la da sociedade literária, os ingleses não hesitaram em publicar e elogiar o seu trabalho,  defendida por elementos proeminentes na sociedade, entre condes e condessas, tendo impressionado  até mesmo Voltaire.

A poeta constitui família, contudo, a guerra e as privações são-lhe funestas, acabando por perder o marido na prisão, por endividamento. O declínio não extingue a sua poesia, que abrange uma diversidade de temas que raramente abordam a sua própria vida, incluindo elegias, que refletem a sua visão dolorosa da existência. O classicismo, o abstrativo e o religioso são primordiais na sua inspiração. A viuvez aumenta a sua penosidade e trabalha como nunca trabalhara durante a sua vida de escrava. Teve três filhos e, numa sequência dramática, nenhum sobreviveu; o seu último filho morre horas depois da sua própria morte, aos 31 anos de idade.

Não se lhe conhecem obras extensas sobre o esclavagismo e a sua condição de escrava, talvez por ter sido uma privilegiada ou, quem sabe,  vítima de um terrível engano que a atirou para um patriotismo ilusório.

Têm sido realizadas várias homenagens, destacando-se, em Novembro de 1973, o festival de poesia em sua honra no Jackson State College no Mississippi.

Phillis Weathley deixa-nos um sublime legado poético que tem sido objeto de estudo por parte de eruditos, sendo considerada a poeta dos escravos da América colonial e percursora do abolicionismo, e a primeira negra afro americana a publicar poesia cujas obras foram incluídas em antologias e citadas na época. Muitas obras têm sido escritas sobre o seu trabalho, encontrando-se uma vasta gama disponível em universidades dos EUA e do Reino Unido.

Encontra-se imortalizada, em estátua de bronze, de Meredith Bergmann, em Boston, entre a Commonwealth e Fairfield Streets, em memória das mulheres de Boston.

Obra de Phillis Weathley
An Address to the Atheist and An Address to the Deist (1767) / To The King’s Most Excellent Majesty (1768) / Atheísm (1769) / An Elegaic Poem On the Death of that Celebrated Divine, and Eminent Servant of Jesus Christ, The Reverend and Learned Mr. George Whirthefield (1771) / A Poem of the Death of Charles Eliot (1772) / Poems on Various Subjects, Religious and Moral (1773) / To His Honor the Lieutenant Governor on the Death of Her Father, The Rev. Mr John Moorhead (1773) / An Elegy, Sacred to the Memory of the Great Divine, The Reverend and the Learned Dr. Samuel Cooper (1784) / Liberty and Peace, A Poem (1784)


                        Maria Dhramamor

fontes:
http://www.jstor.org/pss (The journal of Negro Education) - 'Analyses of Selected Poetry of Phillis Weathley.
http://www.poetryfoundation.org/bio/phillis-weathley (Poetry Foundation ) por: Sondra A.O'Neale, Emory University

Poesia HAIKU - conhece?

 

Poucas palavras que tanto dizem! Tanta beleza em tão pouco dizer! Eis a poesia Haiku...


A poesia Haiku surge no Japão entre os séculos IX e XII, porém, foi o samurai e poeta Bashô Matsuo (1644-1694), Tóquio, Japão, o grande impulsionador deste género poético minimalista, sendo marca indelével a exaltação do ser humano, indissociável da natureza e da sua nobre expressão estética.
Denominada por Haicai, em língua portuguesa, tem-se difundido no Ocidente, tendo sido adotada nomeadamente por autores portugueses e brasileiros.
O Haiku tradicional obedece à uma estrutura de 17 sílabas (5, 7, e 5), dispostas em 3 versos, sem rima.

De BASHÔ MATSUO:
"Furu ike ya
kawasu tobi komu
mizu no oto"
Tradução:
O velho tanque-
uma rã que mergulha,
barulho de água.»

Alguns Haicaistas de hoje:
Albano Dias Martins (1930) – Fundão, Portugal – poeta
“Um pássaro
no ninho: uma gaiola
perfeita”
in “Com as Flores do Salgueiro: Homenagem a Bashô”, Edições Universidade Fernando Pessoa, 1995, Porto.

Alice Ruiz (1946) – Curitiba, Brasil – poeta e compositora
“Sou uma mulher polida
vivendo uma vida
lascada”

Jane Reichhold (1937) Ohio, USA
“No espelho-
suas rugas não mudam
a superfície lisa”

Kala Rameshe (1964) - Pune, Índia – poeta e compositora de música clássica Indiana
“Silenciosamente
recebo as boas-vindas-
mangueira em flor”

Maria Dhramamor

fonte:
pt.wikipedia.org/wiki/Haikai
www.museindia.com/featurecontent.asp
www.recanto das letras.com.br/teorialiteraria

domingo, 6 de maio de 2012

Sociedade - Modernos Primitivos

fonte: Blog.bodycandy.com
Este conceito surge no final dos anos 70, através de Fakir Musafar, considerado o pai do Movimento Moderno Primitivo, que se assume como pesquisador e explorador ritualístico do seu próprio corpo, que manipula e modifica através da arte e da espiritualidade primitiva/ tribal, chocando a sociedade com a crueza com que demonstra o autodomínio do corpo físico e espiritual. Fakir Musafar pratica o culto das tatuagens, do 'body piercing' (introdução de ornamentos perfurantes no corpo), tendo feito diversas performances pelo mundo inteiro, nomeadamente em Lisboa, em 1997, no Festival Atlântico, influenciando grandemente os jovens portugueses.

Os Modernos Primitivos não se enquadram nas sociedades, abominam padrões de comportamento preestabelecidos, opõem-se a hierarquias. São absolutamente anárquicos e vivem o quotidiano sem imposições, nem regras. As suas atitudes são reflexo da sua vontade e é a sua vontade que rege a sua vivência diária. Não estão sujeitos a horários e o tempo não os domina; o relógio é um objeto dispensável, abominam a hipocrisia do ser humano nas relações interpessoais como forma de gerir relacionamentos. Não acreditam em nenhum sistema político vigente, que julgam causadores de insatisfações no Homem e acreditam neles próprios como seres geradores da felicidade, o obetivo fundamental do ser humano.
fonte: mike_smoke_Web
         
Buscam nas filosofias e doutrinas tribais a sua própria filosofia e adoptam posturas consideradas bizarras pelas sociedades ditas modernas, que os tratam como seres ineptos do submundo, sem direção, caóticos e subversivos. Porém, grande parte dos elementos que constituem este movimento são espiritualistas, cultos, têm licenciaturas para as quais estão se baldando, e muitos são oriundos de famílias ricas e bem posicionadas.

Se a sociedade os considera um abalo social com a sua excentricidade, a própria sociedade mostra insuficiências inter-relacionais e desumanidade nos seus juízos de valor. Sim, os Modernos Primitivos vestem roupas não convencionais, pintam a pele, perfuram-na, usam cabelos de tons vistosos e penteados à semelhança das culturas tribais, por vezes andam descalços, fazem de casas abandonadas o seu lar, onde vivem sem ideais padronizados de conforto, cultivam as artes e as letras, a música de garagem, são assertivos, pacifistas, são contra o ‘assassinato’ de animais para se alimentarem, vivem em regime de partilha que se estendem aos animais domésticos, fazem amor, sorriem, dançam, choram como qualquer ser humano. E são, na maior parte das vezes, verdadeiros artistas. Sim, sim, sim… são tudo isto e muito mais… Eles têm a coragem de deixar emergir o ‘Ser’.

fonte: en.wikipedia.org

Porém, pessoas ditas civilizadas manifestam a sua preconceituosidade quando os observam com desprezo e sorrisos mordazes, quando os atingem com piadas-boomerang, pois normalmente os Primitivos Modernos não respondem a provocações.
Existe um intercâmbio de comportamentos antagónicos gerados por sentimentos de rejeição de ambas as partes. A sociedade é o fulcro, onde tudo acontece. Há que respeitar o espaço de cada um e, acima de tudo, a liberdade de uns, desde que esta não interfira com a de outros.

Os Primitivos Modernos existem em Portugal, Espanha, nos EUA, no Reino Unido, and so on… E porque a ação gera reação, se nos aproximarmos sem hipocrisias, com aceitação, poderá estabelecer-se um inter-relacionamento revelador. Somos filhos do mesmo Universo.

Maria Dhramamor
Fonte:
http://www.modernprimitives.com


Contactos de Fakir Musafar:
Email: fakir@bodyplay.com
Write: Fakir, P.O. Box 2575, Menlo Park, CA 94026
Phone: (650) 324-0543
Fax: (650) 326-BODY

fonte: http://www.bodyplay.com/ (Fakir)

 

sexta-feira, 20 de janeiro de 2012

Memórias - Janis Joplin

Fonte: Youtube

Janis Joplin - (USA 1943-1970)

Ainda te amo Janis Joplin

Lembro-me de ti como a rapariga que abalou o mundo com a sua voz roubada ao Harlem. A 'pérola branca dos blues', como te chamavam. Quando te oiço, a minha vida muda por instantes. És como um mar que vaza dentro de mim fluindo sem controle, assombrosa nostalgia que arrasta a minha alma para além da intemporalidade e adormece o meu corpo até me perder. Só a minha memória permanece inteira descobrindo velhos amores, mesmo aqueles de cujo rosto nem me lembro - foram alguns, fruto da minha insconstância - diluem-se as mágoas, sobra uma terna saudade daquilo que não vivi, o lado lírico que me salvou vezes sem conta de buscar a morte. 'Summertime', 'Get it While you Can', 'Me and Bobyy McGee', 'Maybe' e tantas outras. Ah, mas 'Mercedes Benz'!

Tinha 11 anos e, com as minhas amigas, apregoava esta canção que nos embriagava de contentamento, enquanto as nossas vozes desafinadas atravessavam o tempo, onde quer que estivéssemos: no pátio do Liceu, no balneário do ginásio, na paragem do autocarro, na esplanada da gelataria Veneza, na Colina da Saudade, que se elevava no alto da minha cidade, o Lobito, onde as borboletas dançavam em todo o lugar e o arco íris se estendia em direção a nós.

Eu queria ser como tu, proíbida, mal-afamada, bem-afamada, e bem mal afamada! Porque eras a rapariga que quebrava o tempo em pedacinhos e transformava a minha pequena alma, por vezes tão triste, em pássaro gigante, ágil e único. Eu conhecia o teu paraíso, mas desconhecia o teu inferno.

Depois apareceste por aí, a cantar com um rapaz que, tal como tu, se eternizou na vida, um excêntrico rapaz afro americano (na altura, negro...), chamado Jimi Hendrix, que tocava guitarra com os dentes, estendido no palco, dedilhando até se ouvir um 'thank you' e, por vezes, queimava impiedosamente as malfadadas guitarras num gesto de rebeldia que enlouquecia multidões. Os jornais diziam que andavas enrolada com ele e que ambos eram uma péssima influência para a juventude; que os pais prendessem os seus filhos em casa enquanto vocês dois andassem por aí. Atacaram-te ferozmente, numa época em que o racismo americano fluia como as águas do Niagara, dominando com a sua fúria mentes de todas as cores. E quando os Black Power andavam por aí, de punho erguido, ostentando o seu orgulho Negro ao mundo.

Eras inatingível e muito menos te deixavas influenciar por loucuras massivas. Tu eras a tua própria loucura. Andavas nua e descalça se te apetecia, as tuas roupas extravagantes de hippie eram motivo para seres marginalizada, as tuas canções a beirar as vozes negras eram um chicote na moral de muitos, o teu desleixo, por vezes, e pior ainda, proclamares a todos os ventos e marés que não te preocupavas com a cor da pele e que eras adepta do sexo livre. Sorry, mas tal afirmação valia-te mais uns pontos no ranking das mal-afamadas.

Eu sei que querias apenas viver a vida à tua maneira. E conseguiste, de certa forma. E foste raínha de palcos diversos e a tua voz sem medo descobriu sons que só a tua garganta deixava escapar. Conquistaste o mundo e deixas-te-o perder - droga, álcool, brigas, prisão, obscenidades em palco, relações condenáveis, desespero, angústia, e o fim. O fim...

Why? How could you? Como pudeste J.J.? Tinhas o mundo a girar na palma da tua mão, mas este era demasiado pequeno para ti (meia casquinha de noz) e tu querias o universo inteiro com os seus outros mundos desconhecidos. Li, não me recordo aonde, nem quando, que tinhas ficado arrasada com a morte de Jimi Hendrix, uns dias antes - terá sido a saudade ou a tua solidão, a tua inimiga mortal?

Psst! Confesso-te que, na altura, não queria um Mercedes Benz, nem uma TV a cores porque, em casa, o dinheiro mal chegava para comer e não existiam sequer televisões em Angola, 'medos do colonialismo', por certo... Pouco importava, eu alimentava o sonho utópico de querer cantar como tu e fazer sonhar gerações. Porém, hoje, eu quero apenas ouvir-te...

Por vezes, chamas-me. Estou aqui. Because I still Love You.

Maria Dhramamor

domingo, 15 de janeiro de 2012

Letras - Hanan Al-Shaykh

Imagem do Google

Palavras Aladas...

Escritora. Dramaturga (1945 - Beirute/ Líbano)

Que importa a vida, que importa tudo o que seja, quando a liberdade, o bem de todos os bens, nos é condicionada? Não será esse condicionamento a ausência da própria liberdade? Talvez Hanan se tenha questionado a um determinado ponto de sua vida e optado por uma espécie de auto exílio (embora se isente de usar essa palavra acutilante) necessário à sua sobrevivência intelectiva. Talvez precisasse de estender as asas e voar mais alto, em direção às estrelas. As estrelas de Hanan estavam em Londres, onde vive desde 1984.

A sua infância foi marcada pela tradição Xiita a que pertencia a sua família e, embora tivesse prosseguido os seus estudos no Egipto, dominado por uma cultura moderna, manteve-se segregada pelos padrões educacionais muçulmanos. Foi em Beirute, onde nasceu, que encetou a sua vida no universo da escrita,  como ensaísta, com apenas 16 anos, tendo colaborado com o jornal 'Al-Nahar' até 1975. Em Beirute, também trabalhou para a televisão 'Al-Hasna' como jornalista. No entanto, foi no Egipto que publicou o seu primeiro romance Intihar Rajul Mayyit - 'Suicide of a Dead Man' (1970).

Com o eclodir da guerra civil no Líbano mudou-se para a Arábia Saudita, continuando a exercer jornalismo. As suas obras abordam temas polémicos inspirados na sua vida e de outras mulheres, vítimas de uma cultura de submissão ao masculino.

Hanan Al-Shaykh transformou a sua escrita num grito de protesto com os seus temas sobre a condição feminina na sociedade em que crescera, abordando aspetos intocáveis, provocando, com a sua audácia, um bloqueio das suas obras em todo o mundo árabe, incluindo no Golfo Pérsico. 'The Story of Zaara' (A História de Zaara) trata-se de um dos seus livros mais polémicos pela crueza de temas como o aborto, divórcio, sexualidade. Recusado por editoras no Líbano, foi publicado à sua custa, tendo chamado a atenção dos media internacionais.

'Women of Sand and Myrrh' (Mulheres de Areia e Mirra) é uma obra sobre o percurso de 4 mulheres, sendo uma delas americana, estruturada sob um elo de vivências proibidas, tal como o lesbianismo. Foi selecionado como um dos 50 melhores livros de 1992, pela 'Publishers Weekly', revista americana direcionada para editores, agentes literários, bibliotecários e livreiros.

As suas  histórias converteram-se num caldo de registos que tem chamado a atenção de atores e encenadores, e as suas personagens transportadas para os palcos e representadas com a veemência com que Hanan veste as palavras.

Os livros de Hanan Al-Shaykh são uma viagem a vidas que nos passam à margem porque, por vezes, é preciso estar no terreno para poder descrevê-la, pois a imaginação por si só não basta.

Maria Dhramamor






Fonte
Imagens do Google
http://www.wikipedia.org.com
http://www.literarylondon.org/london-journal (entrevistada por Christiane Schlote)
http://www.books.google.pt

quarta-feira, 11 de janeiro de 2012

MSG para Márcia Fontes


Tema: OKUPAS) artigo publicado em Junho/2011




De: Márcia Fontes

Boa Noite. Achei interessante o modo como disfrutam desse espaço. Gostaria de visitar uma okupa para poder presenciar e aprender um pouco mais. Sou aluna de fotografia e ja fotografei algumas okupas em Barcelona, gostaria de repetir a experiencia. É possivel saber onde posso encontrar okupas no Porto? Obrigada =) 
Márcia Fontes em Sociedade - OKUPAS


Resposta
Olá Márcia!
Os Okupas são muitas vezes obrigados a abandonar os espaços que "okupam" por forças policiais, pelo que, não poderei informar com precisão onde se reinstalam. De qualquer modo, existem alguns locais onde habitaram e podem eventualmente habitar "Okupas". Nessas ruas, poderás perguntar, caso estes tenham sido desalojados, qual a local para onde terão ido, pois muitos dos "Okupas" criam amizades e deixam informações.

Algumas referências no Porto:

Alto da Fontinha - Rua da Fábrica
Praça da República – Cedofeita
Rua de Monchique – Massarelos
Rua de Faria Guimarães
Rua da Restauração
Rua de São Miguel – Sé
Rua Miguel Bombarda – Cedofeita
Esquina entre a Rua do Almada e Rua da Fábrica – Baixa
Rua Prof. Jaime de Sousa – Cedofeita
Rua Adolfo Casais Monteiro – Cedofeita
Avª da Boavista – Boavista
Rua Infante D. Henrique – Ribeira
Rua Costa Cabral – Antas

Desejo que consigas encontrá-los e faças boas fotos.
Bj.
Maria

Nota: imagem do Google

segunda-feira, 12 de setembro de 2011

Música - Eneida Marta

ENEIDA MARTA – Guiné Bissau (África)

A VOZ QUE AFAGA A ALMA
 Uma noite estrelada. Uma poncha*. Um aprazível suspiro. Uma canção. Era tudo o que eu queria naquele momento. Uma saudade intensa toma-me de rompante. Aquela voz a ecoar numa estação de rádio escolhida ao acaso, aquela voz que eu não conhecia, acabara de transformar aquele instante num momento só meu, intemporal, único, repleto de paisagens africanas que eu via desfilar na minha memória. Que bom ter descoberto Eneida! Não… não falo de ‘Eneida’ de Virgílio, mas da nossa Eneida africana, mulher feita poema.

Quando Juca Delgado, um dos mais conceituados produtores de música africana em Portugal descobriu a voz fascinante de Eneida Marta, valorizou-a, ciente do seu valor artístico.

Nos seus concertos, Eneida espalha encanto, despertando uma mescla de emoções que nos trazem saudade e contentamento, vontade de requebrar o corpo ou simplesmente de ficar quietos, numa prazenteira preguiça. Na verdade, a música sempre a seduzira, desde criança, pois nascera no seio de uma família de artistas. Familiarizara-se com os palcos participando em concursos infantis, deliciando o público com a sua voz de menina talentosa.

São vários os estilos que caraterizam as suas canções, que vão desde o Gospel, Jazz, Gumbé, retoques de Flamenco, ao Singa, Tina, Djanbadon, enfim, uma macedónia de ritmos extraordinários. Canta em vários dialetos e línguas, nomeadamente em mandinga, português, futa-fula, criolo, fula; e sempre com Juca Delgado por perto, numa brilhante cumplicidade.

“Nô Storia”, o seu primeiro álbum (2001), editado pela ‘Maxi Music’ e produzido por Juca Delgado foi o início da sua projeção artística, com uma tournée por vários países da Europa e África, incluindo Guiné-Bissau, onde foi recebida com todo o carinho que um povo deve dedicar a um filho da terra. Depois de “Amari” (2002), produtoras como a JPS Production (França), Club Star (Alemanha), Putumayo (EUA), promovem a sua carreira internacional e o seu nome passa a ser alvo de críticas auspiciosas tanto da parte do público como dos media. E assim, Eneida é convidada a participar em diversos programas, com presença marcante no ‘Inside África’, transmitido pelo canal televisivo CNN International.

Em 2005, Eneida arrebata o primeiro lugar na categoria de World Music com "Mindjer Dôlce Mel", num concurso realizado em Portugal. Foi, anos depois (2008), seleccionada pela WOMEX 2008 (World Music Expo), um dos maiores eventos de World Music, para integrar a sua programação oficial, entre centenas de artistas oriundos de várias partes do globo.

Através de Juca Delgado, Eneida participou em produções com artistas reputados como Bonga, Rui Mingas, Manecas Costa, Dulce Pontes, Uxia, e ainda Aliu Bari, precursor da música moderna da Guiné, entre outros artistas de renome.

Radicada em Portugal, Eneida tem vivido um pouco por terras africanas como Angola, Moçambique e, claro, Guiné, o exótico país onde nasceu.

+ Informações sobre Eneida:     
www.myspace.com/eneidamarta
http://www.myspace.com/martaeneida
http://www.griotsound.com/webeneida/default.asp
http://angolanavoz.blog.com/


*poncha – bebida típica da região de Câmara de Lobos, Ilha da Madeira, à base de aguardente de cana de açúcar, mel, sumo de limão, podendo ainda ser utilizadas outras espécies de frutos como maracujá ou laranja.

Maria Dhramamor

sábado, 2 de julho de 2011

Lembra-se de Andressa Cardoso?

video 

Título: TÔ LEGAL (mp.3)

Mais um lançamento da menina-maravilha de Tangará da Serra (Brasil)

Uma beijoka e muita sorte, Andressa! Não desistas!



sábado, 11 de junho de 2011

Sociedade - OKUPAS

 Fonte: Youtube


Quando o movimento 'okupa' o vazio...

Okupas? Brrr! Vadios, escumalha, miseráveis, etc, etc, etc…

Quando se fala em Okupas, associa-se à vadiagem, ociosidade, desordem. A palavra okupa deriva da palavra ‘ocupação’ e, na verdade, os okupas ‘ocupam’, não no sentido de vagabundagem, mas sim, manifestando o seu anarquismo, que, contrariamente ao que a maioria pensa não tem a ver com desordem, mas sim, ausência de coerção, de imposições.

Os Okupas são um movimento libertário formado por anarquistas, revolucionários, ecologistas, hippies, punks, entre outros movimentos de contracultura, que se manifesta contra a especulação imobiliária, consumismo, burguesia e autoridade. Instalam-se em espaços devolutos, sem permissão dos proprietários e tentam recuperá-los através da renovação física e animação, promovendo a sociabilização com atividades culturais e lúdicas, num contexto de igualdade social.

O seu slogan contestatário ‘tanta casa sem gente e tanta gente sem casa’ – justifica esta atitude, vista, de forma geral, como violação de domicílio ou perturbação da vida privada, ou seja, um ‘crime’ perpetrado contra o Sistema. No entanto, em alguns países cuja lei tolera esta ação, poderá haver cedência por parte de proprietários, estabelecendo-se un intercâmbio, em que, perante a ocupação, os ‘okupantes’ se encarregam da preservação do espaço.

Em Portugal, este movimento teve início no Porto, nos anos 90, e tem-se espalhado por todo o país, com forte incidência nos centros urbanos. Alguns okupas como Paula Parreira (Cascais), Miguel Rosas (Sacavém) e Zé Pedro foram dos primeiros a dar a cara aos média. Miguel Rosas fundou um pequeno centro cultural com ateliers de pintura e fotografia frequentado por alguns jovens, dinamizando assim o espaço que se encontrava em degradante estado de abandono.

Este movimento, em expansão pelo mundo, tem sido fortemente reprimido por forças de intervenção policial, tendo-se registado continuamente ocorrências que têm provocado manifestações não só por parte de okupas como de populares que apoiam as suas ações.

Em Lisboa, A Kasa Enkantada foi demolida sob fortes protestos, em 2002. Célebre pelos seus concertos, biblioteca, cursos de culinária vegetariana, entre outras atividades, oferecia ainda refeições por apenas 1 euro, para além de serem manifestamente contra a droga. Várias bandas portuguesas foram associadas a este movimento, fonte de motivação para muitos jovens, alguns dos quais, sem rumo.

Outro centro de Okupas que se notabilizou foi a Casa das Atochas, em Corunha (Espanha), onde se promoviam atividades de lazer, culturais e políticas, sendo a propriedade de um abastado cidadão que mantinha o local abandonado. O espaço foi encerrado a 12 de abril de 2011. A situação tem desencadeado diversas manifestações da parte de Okupas e simpatizantes.

A 10 de maio de 2011, a escola primária do Alto da Fontinha, no Porto (Portugal), abandonada há 5 anos, onde o movimento desenvolvia projetos educativos no bairro promovendo atividades escolares e lúdicas foi invadida pela polícia, com vista ao seu encerramento. Os jovens queixaram-se da violência policial e das agressões com que foram expulsos. Cerca de 50 pessoas, nomeadamente professores davam aulas gratuitas a crianças. O grupo apresentou uma queixa-crime contra a Câmara do Porto e fomentou manifestações pacíficas (musicais) para chamar a atenção da comunidade. Apoiados pelos moradores, garantem que a luta vai continuar neste ou noutro espaço. Foram detidos sete okupas.

Em Inglaterra são chamados de ‘Squatters’, e em Londres, este movimento ocupa casas nos bairros de elite. Patrulham casas vazias e se ao fim de 3 meses não aparece ninguém, ocupam o espaço, incluindo os edifícios da Coroa. Em Londres, o 'Squat 121 Center', após 18 anos de ocupação, foi encerrado em 1999. Revolucionários e ecologistas que ocupavam o local procuravam alternativas no sentido de apoiarem os desafortunados sociais, não se coibindo de pesquisar o lixo de feiras e supermercados para aproveitar excedentes, transformados posteriormente em alimentação para centenas de pessoas carenciadas.

Espanha atingiu, nos anos 60 e 70, o apogeu da ocupação de espaços abandonados, embora só nos anos 80 adoptassem a designação de Okupas.

A Holanda aplicou recentemente uma lei que prevê até 2 anos de prisão por ocupação indevida. No entanto, existem cerca de 1.000 edificios ocupados ilegalmente. Aqui, os Okupas são chamados de ‘Krakers’.

No Brasil, os squatters surgiram nos anos 90. Celebrizaram-se em Curitiba, a ‘Kaazaa’ ; em Porto Alegre, a ‘Kasa da Kultura’. Em Curitiba, o ‘Squat Payoll’ distribui livros e outros artigos ‘krakers’ em apoio aos anarquistas sem-teto de Amsterdão.

Os squatters fazem circular os ‘zines’, jornais artesanais de pequenas tiragens, e mantêm contactos nacionais e internacionais para veiculação da informação sobre o movimento.

Símbolo Okupa


Tanta casa sem gente e tanta gente sem casa’ - o Sistema antepõe os seus interesses, mergulhado na indiferença. ‘Gente sem casa e casas sem Gente’ desfeiam, agridem e ferem o cotidiano do mundo.

Mais informações em:

Maria Dhramamor

sábado, 2 de abril de 2011

ARTES - Kseniya Simonova

Fonte: Youtube 'Kseniya Simonova' desenhando na areia, no programa televisivo Ucrânia Got Talent

da Ucrânia, com amor

KSENIYA SIMONOVA – Evpatoriya-Criméia /Ucrânia (n.1985)

Era uma vez uma menina, que descobriu que os seus pequenos dedos copiavam a vida de todas as vezes que deslizavam sobre qualquer coisa.

Era uma vez uma menina, que se chamava Kseniya e cujo nome se espalhou, um dia, pelo mundo.

Filha de um militar e de uma pintora e cenógrafa, começou a desenhar com os dedos ainda criança. Sonhava com desenhos fantásticos e traduzia as suas lembranças oníricas de forma incomum, inquietando os seus pais que, cientes das dificuldades dos artistas, não queriam que ela fizesse do seu talento um meio de vida. Contudo, Kseniya frequentou a Escola Artística e de Belas Artes. Traduziu obras de autores clássicos como Shakespeare, Lord Byron e R. Burns, para além de poesia popular, baladas e canções folclóricas inglesas.

Kseniya é mais uma descoberta promovida pelos meios televisivos, tendo vencido o concurso 'Ukraine’s Got Talent', em 2009, ao retratar, através de desenhos animados na areia, os horrores da segunda guerra mundial no seu país, arrancando lágrimas e aplausos da audiência (e lágrimas minhas).

Quando estudante, Igor Paskar, editor de revista e director de Teatro, viu-a numa discoteca e fotografou-a para a sua revista ‘Extraordinary People’. Um ano depois, reencontrou-a, casaram-se e foram pais de um menino. Como não acredito em coincidências, creio que não foi por acaso que a revista entrou em colapso provocando uma alteração radical nas suas vidas. Em face da crise financeira que atravessavam, o casal procurou por todos os meios uma forma de sobrevivência. Igor incentivou-a a prosseguir com os desenhos na areia, mas ela não encontrava no seu país, nem areia de mar nem de rio apropriada à sua criatividade, acentuando-se o seu desânimo de dia para dia. Igor apoiou-a com equipamento que permitiu filmar os seus trabalhos sob uma superfície de vidro e propôs-lhe a apresentação dos mesmos aos media. Sonhou por ela e acreditou que, um dia, a sua mulher seria reconhecida, mas ela achava-o um idealista porque, no fundo, não ousava sonhar tão alto. Durante 3 meses, Kseniya trabalhou dia e noite tentando encontrar o âmago da sua arte. Quando se sentiu pronta, Igor convenceu-a a entrar no casting para os 'Got Talent'.

Existem coisas que não podem ser impedidas porque o espírito se sobrepõe a tudo, não permitindo obstruções. E assim, foi revelado o seu talento incontestável. Kseniya, sem qualquer instrumento de apoio, utilizando apenas as mãos, e numa rapidez surpreendente, modela uma série de desenhos sequenciais na areia, retratando factos da vida, contando histórias que nos atingem a alma.

Hoje, Kseniya Simonova conta-nos histórias que não passam pelo papel, nem saem da sua boca. As suas histórias brotam-lhe da alma, sem palavras, bastando-lhe os gestos para nos fazer refletir e chorar.

Maria Dhramamor

segunda-feira, 21 de março de 2011

Enquanto Dormes

Por: Maria Dhramamor
 fotografada por : Sofia Gonçalves

Oiço o teu respirar

Na madrugada
Ébria,

E desperto

De desejo, atordoada.

Cheiro o teu cabelo,

Mordo de leve o teu pescoço,

Conto as rugas do teu rosto...

Revelam segredos

Que não ouso saber...

Deslizo meus mornos dedos

No teu peito forte,

Bebo teus suspiros

Como vinho de veludo.

Toco as tuas coxas,

E minhas mãos

Entorpecem

No teu sexo que desperta.

E sinto o mar

A penetrar

Na concha aberta

Que te aguarda húmida.

sábado, 19 de fevereiro de 2011

Entrevista - Sofia Gonçalves (fotógrafa)

 
Sofia fotografando

As gémeas de Sofia, fotografadas pela artista

Foto de Sofia, refletindo uma paisagem num riacho

Por: Maria Dhramamor
Please see below/ S'il vous plaît voir ci-dessous/
Por favor, ver más abajo /Si prega di vedere sotto

´Contrastes' de Sofia

Fotografar não deveria ser apenas um gesto. O artista fotográfico junta a sua técnica individual a uma sublime sensibilidade. Rouba o sonho à realidade e torna-o eterno, uma mensagem que permanece e que mal fechemos os olhos nos lembra de alguém ou de algo: uma paisagem, uma pedra, uma folha seca esvoaçando, um triste olhar, uma alegria infundada. Seja o que for que se retrate, fotografar não deveria ser apenas um gesto.

Sofia é daquelas pessoas cujos trabalhos, em seus ‘contrastes’, nos prendem o olhar. Em Colares, na ‘Contrastes’, o estúdio que divide com o músico/produtor Paulo Lorga, seu marido, Sofia desliza entre clientes apressados e outros que lhe dedicam horas de conversa pela sua simpatia envolvente, o brilho intenso dos olhos alegres e o sorriso genuíno. Além disso, Sofia é mãe de gémeas, sai para reportagens, enfim, uma mulher de vida agitada e imparável.

Sofia é portuguesa, frequentou o ARCO - Centro de Artes e Comunicação Visual, em Lisboa, e fez um estágio em Cinema, no filme ‘Mariage Mixte’, do realizador francês Alexandre Arcady, para além de fotografia de cena (teatro). Dedica uma grande parte do seu tempo à fotografia social.

No seu estúdio, pude ver a belíssima colecção de fotos desta artista, que merecem estar expostas nas paredes de uma galeria ou publicadas em livro, para que o público possa sentir a emoção que é contemplar trabalhos como este.

A CONTRASTES fica mesmo à entrada de Colares, num cantinho acolhedor, em direcção às belas praias da zona de Sintra.

Entrevista
M.D. - Porquê fotografar?

S.G. - Faz bem à Alma e ao corpo quando há um envolvimento mais que físico da máquina e do fotógrafo na captação das imagens; e as coisas fluem, passamos a outra dimensão – é esta criação que alimenta a ALMA. Depois é como um vício que vai crescendo.

M.D. - Que conceitos definem o seu trabalho fotográfico, numa sociedade em que a fotografia digital se banaliza diariamente?

S.G. - A verdade é que a fotografia tem neste momento esse panorama de banalidade. Compete-me a mim, como profissional, desmistificar essa banalidade e tentar mostrar que não basta clicar para se ter bons resultados. Penso que temos de nos adaptar ao novo mercado e fazê-lo também em Prol de um crescimento pessoal, encarando as mudanças com algum otimismo e tentando moldar o meu trabalho de acordo com a nova realidade.

M.D. - Como se sente no meio fotográfico português?

S.G. - O meu trabalho é um trabalho muito individual, parte de uma envolvência naquilo que estou a fazer naquele preciso momento e a energia que consigo captar; só assim consigo tirar partido dele. Confesso que vivo um bocadinho à margem do meio fotográfico… Às vezes gosto de estar à margem (risos). Acho que cada um de nós tem de construir algo, nem que seja no nosso Mundo, e isso irá com certeza projetar-se de alguma forma, seja ela qual for. Penso que o melhor é deixar fluir, percebendo as tendências, mas desenvolvendo sempre o nosso trabalho de acordo com as nossas convicções e gostos. Essa liberdade faz-me sentir bem.

M.D. - Acha que o seu trabalho é reconhecido?

S.G. - O meu trabalho é reconhecido a partir do momento em que as pessoas me procuram uma vez e voltam; o meu trabalho é reconhecido quando vejo um sorriso, alguma sensação com as imagens que captem delas e, no final, o meu esforço é recompensado com esse reconhecimento individual… Nesse aspecto, acho que tenho reconhecimento.

M.D. - Tem um estúdio fotográfico aberto ao público, faz reportagens, é casada, mãe de gémeas… Como consegue conciliar a sua profissão com o ato de ser mãe?

S.G. - Na verdade, se tivesse que numerar aquilo que sou, sem dúvida que ser mãe é o meu numero 1 que se reflete em todos os outros. O Paulo tem sido a outra parte de mim, sem o qual, não teria conseguido nada, portanto, penso que na vida tudo gira e flui de acordo com as coisas que nos envolvem e às quais nos entregamos, neste caso, sou entregue de alma e coração a tudo o que tenho, daí umas vezes melhor que outras. Consigo conciliar tudo com algum sucesso.

M.D. - Qual a sua fonte de inspiração?

S.G. - As filhas, a Natureza, o Amor, a vida e o que dela consigo tirar, as pessoas, a sociedade.

M.D. - Gostaria de citar algum fotógrafo cujo trabalho a tenha particularmente impressionado?

S.G. - Penso que seria interessante citar um fotógrafo português que conseguiu reconhecimento a nível internacional, que se chama João Carlos, e está neste momento sediado nos EU, onde desenvolve trabalhos muito criativos dentro do mundo da Moda. O que gosto particularmente no seu trabalho é o toque de Arte e profissionalismo que encontro em todas as suas imagens.

M.D. - O Paulo Lorga, seu marido, é músico. Portanto, ambos são artistas. Têm projectos juntos, por exemplo, existe a possibilidade de associar os seus conteúdos fotográficos à criação musical do Paulo?

S.G. - No EP que o Paulo lançou e tem na Internet, a capa e toda a imagem foi concebida por Nós, em conjunto, de acordo com o conceito do próprio álbum. Temos também um projecto em comum para uma exposição que, neste preciso momento, se encontra parado, mas dentro em breve gostaria de concretizá-lo e que tem essa combinação MUSICA/IMAGEM. É uma visão social em vários espaços, será aliciante esperar o resultado.

M.D. - E o seu lema é…

S.G. - Ir ao SABOR do Mar…não vivesse eu perto DELE.


INFORMATION/ INFORMACIÓN/ INFORMAZIONI

SOFIA GONÇALVES

PAULO LORGA

ENGLISH – This Portuguese photographer shows us a work characterized by soft contrasts representing her passion for people and landscapes. She divides her studio in Colares, Sintra, with her husband, the musician/ producer Paulo Lorga.

FRANÇAIS – Cette photographe Portugaise nous montre un travail caractérisé par doux contrastes représentant sa passion pour les gens et les paysages. Elle partage son studio, à Colares, Sintra, avec son mari, le musicien et producteur Paulo Lorga.

ESPAÑOL – Esta fotógrafa Portuguesa nos muestra una obra caracterizada por suaves contrastes en representación de su pasion por la gente y los paisajes. Ella comparte su estudio en Colares, Sintra, con su marido, el músico y productor Paulo Lorga.

ITALIANO – Questa fotografa Portughese mostra un lavoro caratterizzato da un delicatto contrasto che rappresenta la sua passione per le persone e paesaggi. Divide el suo studio a Colares, Sintra, com il marito, il musicista e produttore Paulo Lorga.

segunda-feira, 7 de fevereiro de 2011

A GRANDE TOURADA

Por favor, ver más abajo /  Si prega di vedere sotto.


Por: Maria Dhramamor
Proscénio de (des)venturas IV - Vivências no Palco e suas consequências

Ano de 1998, de um dia qualquer… O anúncio terá que ser gravado nesta manhã de inverno em que o Sol espreita e foge. É um anúncio festivo, de verão, de gente feliz, portanto, é imperioso que o glorioso astro nos brinde com o seu brilho. De outra forma, não haverá gravações.

Este lugar parece-me uma imensa bola de sabão, cheia de mariposas estonteantes, pronta a desintegrar-se no espaço. Não é um lugar comum. É uma praça de touros fedorenta e fria, onde as escadas húmidas da geada congelam qualquer traseiro, incluindo os mais anafados. Estamos sentados nos degraus gelados, simplesmente à espera; o absurdo da espera… ‘À Espera de Godot’ ... (Samuel Beckett).

Gosto de contemplar o mundo que me rodeia, gosto de guardar para mim os mais ínfimos pormenores da vida. Que mais poderia fazer, senão observar, naquele momento de impassibilidade?

Entretenho-me a caricaturar as personagens arlequinadas de rostos arroxeados pelo frio e vestes garridas; sou mais uma, entre essas excêntricas criaturas inventadas à pressa; mais uma a viver estranhos momentos à sua própria vida. Apercebo-me de algumas conversas que poderiam ser tema para uma tragicomédia de sucesso, como por exemplo, a mulher opulenta que se gaba de ter enterrado três maridos, ou do casal de velhotes impudicos que, entre beijos ruidosos, falam dos tempos em que a fornalha da paixão era o fulcro das suas agora decrépitas vidas. Ah, mas a mocinha de azul prende-me a atenção pelo seu olhar cândido, envolta no fulgor de quem aguarda o momento crucial da sua lacónica existência. A diva decadente também lá está, com um vislumbre de beleza na frouxa luz do olhar, de sorriso ensombrado pela ausência de dentes.

Todos me parecem figuras de um circo gigantesco flutuando dentro de uma descomunal bola de sabão. E eu? Eu não passo de uma dessas figuras, enredada dentro do grande circo.

Uma versão adulterada de Al Capone vem despertar-me do torpor em que me encontro. Espreito-lhe o rosto caraterizado, o chapéu, a gravata amarela às riscas e o lencinho amarelo gema-de-ovo enfiado no bolso do casaco, em contraste com o fato esverdeado e paro abismada. E, claro, o charuto na mão… Observo aquela ímpia figura gangsteriana e não me impeço de fazer um descarado comentário à sua gravata; e ele retribui com uma observação acalorada à minha figura. É que, tal como o resto dos participantes, tenho uma aparência, no mínimo, estrambólica. Fala-me da sua vida agitada de produtor, que numa emergência se mistura com atores e figurantes para preencher uma vaga (o ator estava doente); e fala-me do cãozinho que deixara em casa com a pata quebrada, e fala-me, entretanto, de episódios felizes. E convida-me para ser o seu par, não via eu que quase todos formavam um casal? Faríamos uma contracena em grande plano… Ah, bom?! E a menina dos olhos cândidos? Não estava ela só? Uma das poucas exceções… - diz-me.

O Sol vence a nuvem e raios brilhantes surgem no seu esplendor. A produção alegra-se e nós, os desesperados, observamos a sua súbita alegria. Entra o touro, ouvem-se assobios. Ao fundo, está um célebre toureiro vestido a preceito, de farpela rosa coberta de arabescos e brilhos e de capa vermelha na mão. É a figura fundamental do ato, contratado para fazer publicidade a pastilhas milagrosas para a gripe. Tosse, espirra, pigarreia e avança bamboleando o corpo esguio em direção ao touro, pois, com as ditas pastilhas que acaba de ostentar, não há doença, nem touro, nada que o vença! Alguém levanta um cartaz com as palavras a entoar e indica-nos quando deveremos gritar o habitual ‘olé’; e preparamo-nos para o ensaio. O bicho parece aturdido mas, repentinamente, vira-se na direção dos equipamentos da filmagem como uma estrela exaltada e avança derrubando um tripé com uma máquina fotográfica; entretanto, o cameraman consegue salvar a sua câmara, mas o resto da equipa tenta é salvar a pele. Tal como os outros, pulo uma cerca e trepo pela bancada acima, numa velocidade que nunca imaginei atingir. O animal dá marradas em tudo e o toureiro perde o seu encanto, fugindo no meio da debandada. Al Capone tenta proteger-me, mas acaba por dar à sola à minha frente.

O Sol volta a esconder-se. Os funcionários da arena perseguem o touro e conseguem enfiá-lo numa das portadas e isolá-lo. Há que montar todo o cenário de novo, voltar a ensaiar, repetir todas as palavras, gestos, e esperar pela volta do grande astro que, entretanto, voltara a ser vencido por uma nuvem. Na verdade, o anúncio terá que ser gravado nesta manhã de inverno, em que o Sol espreita e foge. E nós continuaremos à espera…

INFORMATION/ INFORMACIÓN/ INFORMAZIONI
ENGLISH – The Big Bull Fight - one of my stories about my artistic life, this time filming a commercial for television, in the arena, with a raging bull.

FRANÇAIS – La Grande Corrida - une de mes histoires sur ma vie artistique, cette fois sur le tournage d’une publicité pour la télévision, dans l'arène, avec un taureau furieux.

ESPAÑOL – La Gran Corrida - una de mis historias acerca de mi vida artística, esta vez sobre el rodaje de un anuncio para la televisón, en la arena, con un toro furioso.

ITALIANO – La Grande Corrida - una delle mie storie sulla mia vita artistica, questa volta circa le riprese di una pubblicità per la televisione, nell’arena, con un toro furioso.