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sábado, 10 de julho de 2010

Entrevista - Bela Maria da Costa Santos

Escritora

Nasceu na ilha da Madeira e tem formação em Turismo. É uma pessoa serena e com uma grandeza de espírito notória nas suas obras literárias e na sua postura de vida. Os seus livros refletem uma doçura comovente, com personagens fortes e envolventes que nos transportam para dentro de nós próprios, desejando simplesmente descobrirmo-nos como seres emocionais que somos.

Em 1999 publica a sua primeira obra, a trilogia “A Força Suave do Amor”, através da editora Espaço XXI. Segue-se o 2º volume “Com alma e Coração” em 2001, pela editora Diferença. Nesse mesmo ano, publica "Lágrimas de Sol", na ilha da Madeira, uma obra de caráter antropológico, com o patrocínio da Câmara Municipal.

Mais tarde, opta pela literatura infantil e aposta na coleção temática "O Menino Especial" que retrata a luta de uma criança com poderes especiais na tentativa de ensinar o Homem a amar a Natureza. O primeiro volume desta coleção "O Menino Especial salva o Rio" ganha a Menção Honrosa no prémio literário Afonso Lopes Vieira, em Leiria/2002. O segundo volume da mesma coleção "O Menino Especial Salva a Floresta em Chamas" é editado em 2004. "O Menino Especial Salva as Cagarras" está à espera da melhor proposta de algumas editoras contactadas.

O conto "Amante de Ninguém" é o seu mais recente trabalho, publicado pela Câmara Municipal de São Vicente, Madeira, tendo sido honrado com o primeiro prémio literário Dr. Horácio Bento de Gouveia.

Entrevista

M.D. - Como te defines, de uma forma geral?

B.M.S. – Sou uma pessoa que pensa e age, essencialmente, com a razão do coração mas que tenta encontrar sempre o fio de prumo entre a mente e a emoção de modo a viver equilibradamente.

M.D. - Quando teve início o teu percurso literário?

B.M.S. - Comecei a escrever a partir do momento em que o conhecimento das letras mo permitiu. Fiz uma tentativa de entrar na escola primária um ano antes da lei em vigor, na altura, exatamente porque tinha uma grande curiosidade e sede de conhecer as letras fascinantes dos livros de leitura dos meus dois irmãos mais velhos. Digo que fiz uma tentativa porque, logo nas primeiras semanas, a professora bateu-me e eu, magoada, nunca mais lá apareci. A não ser, claro, na idade certa! Mas já sabia as vogais e as consoantes e, a partir daí, foi um vê-se-te-avias a devorar palavras e a construir as minhas próprias histórias. Lembro-me de olhar para as gravuras dos textos dos meus irmãos e de engendrar os mais fantásticos contos.

Escrevi muitas histórias na infância, na adolescência e quando tinha dezoito anos, já tinha o primeiro volume de A Força Suave do Amor pronto. Comecei a publicar a história num boletim mensal mas, a certa altura, alguém muito sabiamente me fez ver que eu deveria publicar o romance na íntegra e não por capítulos pois de contrário, só aí para os cinquenta anos é que teria a história toda publicada. O livro tem quase 500 páginas! Desanimada mas não vencida, esperei o momento certo que, efetivamente, chegou anos mais tarde, com um convite da Câmara para patrocinar o livro.

M.D. – Os teus livros retratam o amor nas suas várias vertentes, certo? Qual a importância do amor na tua vida?

B.M.S. - O amor é a mola que move o mundo, é o nosso verdadeiro alimento, a nossa força. E tão belo e completo é o amor que nos permite expressá-lo das mais variadas maneiras, nos mais diversos contextos, dando e recebendo, nessa simbiose magnífica que tudo transforma com a sua força e brandura. Mesmo nas adversidades, é sempre o amor a falar-nos a linguagem do despertar da consciência. Na minha vida o amor está em tudo. É tudo.

M.D. – Os romances “A Força Suave do Amor” e “Com Alma e Coração” encontram-se atualmente fora do mercado literário. Porque razão?

B.M.S. - As duas editoras que lhes estavam vinculadas saíram do mercado livreiro. Entretanto, as edições foram-se esgotando. Neste momento, procuro uma editora que possa fazer uma reedição da trilogia completa, uma vez que tenho já o terceiro volume pronto.

M.D. – És detentora de dois prémios literários. O facto facilitou, de alguma forma, o teu acesso às editoras para publicação de obras posteriores?

B.M.S. – Não até agora, pois nos últimos anos tenho feito edições de autor embora com a supervisão técnica, no caso da coleção O Menino Especial, da editora Folheto, em Leiria. Só agora é que estou na cruzada da procura pela editora que possa apostar no meu trabalho e lançar-me amplamente no mercado literário.

M.D. – Como te surgiu a ideia de escrever livros infantis?

B.M.S. - Surgiu das muitas histórias que contava aos meus filhos para eles adormecerem. E surgiu, em parte, também, das incursões que fiz às escolas onde os meus filhos estudaram, animando algumas dessas histórias. Alguns professores incentivaram-me a publicar e foi o que acabei por fazer.

M.D. – O teu último trabalho “O Menino Especial Salva as Cagarras” está em stand-by, pelos motivos já referidos. Fala-nos da situação dos outros livros desta coleção, ou seja, encontram-se atualmente publicados?

B.M.S. - Os dois primeiros volumes estão publicados, mas restam-me já poucos exemplares. Já fiz a proposta de reedição a duas editoras, espero a resposta. Sendo uma coleção temática, de todo o interesse ludo-pedagógico, e estando o tema sempre no número um da atualidade, espero que me acolham favoravelmente e lancem os livros no mercado.

M.D. – Também te dedicas ao trabalho como técnica de ervanária. Isto implica uma pausa nos teus projetos literários?

B.M.S. - Pelo contrário. Continuo a escrever freneticamente, a participar em concursos literários e a forjar novos livros. Neste momento, em colaboração com uma amiga jornalista, estou a compor um trabalho literário, também temático, sobre as mulheres de 40 e mais. Será uma abordagem extremamente realista e terra a terra das vivências das mulheres nas faixas etárias mais delicadas e mais belas das suas vidas.

M.D. – Colaboras com a revista ZEN com artigos de autoajuda. Pretendes um dia transpor esse teu lado esotérico para uma obra literária?

B.M.S. – Interesso-me muito pelo foro íntimo das pessoas no seu sentido terapêutico. Muitas vezes, tomamos barbitúricos, suplementos e sujeitamo-nos a terapias, algumas até agressivas, para solucionar um problema tão simples que apenas exige de nós amor. O meu intuito é passar a mensagem de que todo o amor latente, ativo, em germe que existe em nós e em todas as coisas da natureza, pode ajudar-nos a curar, a evitar, a apaziguar doenças, distúrbios de vária ordem. A próxima terapia que vai sair na Zen, agora em agosto, é sobre o autoamor. Aprendermos a amar-nos desde a cabeça até aos pés, por fora e por dentro, é o antídoto para qualquer doença. Sei que não é simples. Mas se fosse simples, não estaríamos cá, certamente, nesta grande escola que é o mundo, com esta grande mestra que é a vida.

M.D. – O que pensas do mercado livreiro atual?

Acho que, apesar das dificuldades com que as editoras se debatem, conseguem trazer à luz do dia muitas obras, dando espaço para os novos valores que, de contrário, teriam os seus trabalhos engavetados. Claro que, no meio de tanta obra, aparecem coisas sem substância nenhuma mas o que é certo, é que há leitores para tudo. E isso tem que ser respeitado. O mais importante é que se leie pois a falta de leitura encurta-nos as vistas.

Maria Dhramamor

Memórias - Alda Lara


Foto: Google


Poeta (junho 1930-janeiro 1962) – Benguela (Angola)

Os seus poemas são melodias que serpenteiam no tempo. Palavras que nos entram no coração como mel e nos quebram a alma de tanta doçura. A vida levou-a cedo demais, aos 32 anos, e o mundo ficou mais pobre, como sempre fica, quando um ser precioso deixa de partilhar connosco o sublime encanto da sua alma.

Li os seus poemas, e quantas vezes chorei sem saber que era de contentamento, quando as suas palavras me embalavam o coração! Alda Lara continua a fazer parte do meu universo, dos sonhos que não quero que se desfaçam nas brumas do tempo.

Foi casada com o escritor e médico Orlando de Albuquerque (que tive o prazer de conhecer), que nunca deixou que o seu trabalho fosse esquecido, tendo publicado as suas obras póstumas. Também conheci os seus filhos (éramos todos adolescentes), tendo convivido com a dor da ausência de Alda Lara nas suas vidas. Ela não foi só poeta. Foi declamadora muito estimada, veiculando a poesia africana nos meios sociais de Lisboa e Coimbra. Em Angola, colaborou com vários jornais e revistas, tais como o Jornal de Angola, o Jornal de Benguela, ABC da Ciência. Licenciada na Universidade de Medicina de Lisboa e, mais tarde Coimbra, também mostrou as suas aptidões de conferencista, tendo sido editada a sua ‘Conferência sobre problemas da Assistência Médica Missionária em África’.

Foi membro activo da Casa dos Estudantes do Império, integrando assim a Geração da Mensagem, um movimento cultural constituido por jovens angolanos que buscavam uma cultura nova, de raíz angolana, através da literatura. A revista Mensagem foi um meio utilizado por escritores e poetas angolanos com o objectivo de transmitir uma nova consciência, opositora ao sistema sociocultural dominante, e entre eles, Alda Lara. Os seus poemas refletiam um grande amor por Angola 'Terra-Mãe' e suas gentes, e um forte sentido humanitário aliado à nostalgia -, a voz do povo africano no seu calvário colonial.

Após a sua morte, foi instituido o Prémio Alda Lara para a Poesia, em Sá da Bandeira, actual Lubango.

Sua obra: Antologia de poesias angolanas , Nova Lisboa, 1958; Amostra de poesia in Estudos Ultramarinos, n.º 3, Lisboa, 1959; Antologia da Terra Portuguesa - Angola, Lisboa, s/d; Poetas Angolanos , Lisboa, 1962; Poetas e Contistas Africanos , S. Paulo, 1963; Mákua 2, Antologia Poética, Sá da Bandeira, 1963; Contos Portugueses do Ultramar- Angola , 2.º volume, Porto, 1969; Livros Póstumos: Poemas , Sá da Bandeira, 1966; Tempo de Chuva , Lobito, 1973; Poemas, 1966, Sá de Bandeira, Publicações Imbondeiro; Poesia, 1979, Luanda, União dos Escritores Angolanos; Poemas, 1984, Porto, Vertente Ltda. (poemas completos)

Dois poemas de Alda Lara
Prelúdio
Pela estrada desce a noite
Mãe-Negra, desce com ela...

Nem buganvílias vermelhas,
nem vestidinhos de folhos,
nem brincadeiras de guizos,
nas suas mãos apertadas.
Só duas lágrimas grossas,
em duas faces cansadas.
Mãe-Negra tem voz de vento,
voz de silêncio batendo
nas folhas do cajueiro...
Tem voz de noite, descendo,
de mansinho, pela estrada...
Que é feito desses meninos
que gostava de embalar?...
Que é feito desses meninos
que ela ajudou a criar?...
Quem ouve agora as histórias
que costumava contar?...
Mãe-Negra não sabe nada...
Mas ai de quem sabe tudo,
como eu sei tudo
Mãe-Negra!...
É que os meninos cresceram,
e esqueceram
as histórias
que costumavas contar...
Muitos partiram pra longe,
quem sabe se hão de voltar!...
Só tu ficaste esperando,
mãos cruzadas no regaço,
Bem quieta bem calada.
É a tua a voz deste vento,
desta saudade descendo,
de mansinho pela estrada...


Testamento
À prostituta mais nova
Do bairro mais velho e escuro,
Deixo os meus brincos, lavrados
Em cristal, límpido e puro...
E àquela virgem esquecida
Rapariga sem ternura,
Sonhando algures uma lenda,
Deixo o meu vestido branco,
O meu vestido de noiva,
Todo tecido de renda...
Este meu rosário antigo
Ofereço-o àquele amigo
Que não acredita em Deus...
E os livros, rosários meus
Das contas de outro sofrer,
São para os homens humildes,
Que nunca souberam ler.
Quanto aos meus poemas loucos,
Esses, que são de dor
Sincera e desordenada...
Esses, que são de esperança,
Desesperada mas firme,
Deixo-os a ti, meu amor...
Para que, na paz da hora,
Em que a minha alma venha
Beijar de longe os teus olhos,
Vás por essa noite fora...
Com passos feitos de lua,
Oferecê-los às crianças
Que encontrares em cada rua...

Maria Dhramamor

quinta-feira, 1 de julho de 2010

Sociedade - Lolitas


As Lolitas surgiram no Japão no final dos anos 70 como um estilo adoptado por adolescentes e jovens adultas, estendendo-se atualmente pela Europa e EUA, nomeadamente no Brasil e em Portugal.

Devido ao termo ‘Lolita’ e ao seu caráter ingénuo e fantasioso são muitas vezes associadas à personagem infantil erótica do polémico livro do autor russo Vladimir Nabokov, sendo estas suposições contestadas, pois as Lolitas não pretendem seduzir através de uma imagem sexualizada. Pelo contrário, mostram um lado infantil, ingénuo, romântico e recatado. Pretendem ser uma espécie de bonecas ou de princesas, ou melhor, (kawaii) ‘fofas’, em japonês, como se definem, longe de qualquer conotação sexual.

As Lolitas são ainda associadas ao ‘Cosplay’ (ação de fantasiar em personagens de filmes, livros de histórias, banda desenhada, e até personagens de animais), mas não têm nada a ver com os seguidores deste hobby; elas têm um estilo bem definido e primam pela elegância.

Por outro lado, são muitas vezes catalogadas como tribos urbanas, mas este conceito é também refutado, pois assumem-se como individualistas. Porém, os seus encontros sucedem-se regularmente em cafetarias para tomar chás, fazem picnics e passeios em locais onde se podem exibir, não se coibindo de posar nas ruas. No Japão existem quarteirões especificamente destinados ao karaoke, de manhã à noite, sem interrupção. Os japoneses são viciados neste passatempo e as Lolitas não fogem à regra. A ponte da estação de Harajuku, em Tóquio, é o maior ponto de concentração de Lolitas, onde dão largas à sua imaginação criativa através de passagem dos seus modelos e deixando-se fotografar pelos turistas.

Esta moda baseia-se numa fusão da 'cultura fofa' japonesa com o estilo vitoriano. Ao depararmo-nos com uma Lolita, somos transportados para a resplandecência da próspera época Vitoriana (1837-1901), que se refletia num misto de opulência e conservadorismo social, apesar do grande desenvolvimento industrial e cultural. A rigorosidade dos valores éticos revelava-se, no feminino, numa postura de recato e fragilidade, não obstante o vestuário pomposo, invocando, ao mesmo tempo, um romantismo idílico. Senhoras e senhoritas desfilavam com longas saias amplas, discretos decotes, corpetes, armações, fitas, xailes, toucas, chapéus decorados com véus, fitas de cetim, flores, penas, babados, mangas volumosas, rendas, botões em madrepérola, capas curtas e primorosas sombrinhas. Os tons eram claros, subtis e os cabelos cacheados.Todos estes adornos aliados à joalharia faustosa e ao calçado ornamentado com bordados, brilhos e pedrarias transformava a moda num ato festivo.

A segunda metade desta época é marcada pela viuvez da rainha Vitória, iniciando-se um período de luto, em que o vestuário passa a ser austero, de cor preta, mesmo para as crianças. Os decotes sobem, os vestidos tornam-se pesados e as mulheres despem-se de enfeites vistosos.

Contudo, na última metade da Era Vitoriana, no reinado do excêntrico Eduardo VII, filho da rainha Vitória, a sociedade abre-se para a Belle Èpoque, um período de grande esplendor. E a moda torna-se extravagante e eclética, marcada por cores fortes, tons metálicos e atavios glamorosos.

O Estilo ‘Lolita’ subdivide-se em diversos estilos, sendo alguns deles: Clasical Lolita (vitoriano + rococó, cores verde, marfim, bordeaux, bege); Gothic Lolita (gótico + vitoriano, cor preta); Sweet Lolita (estilo ‘fofo’, cores amarela, rosa, verde claro, azul bebé, pêssego + miniaturas de animais, flores e frutas estampadas); ShiroLolita (sweet Lolitas, que vestem apenas de branco); Kuro Lolita (sweet Lolitas que vestem apenas de preto); Wa Lolita (sweet Lolitas com acessórios japoneses).

As Lolitas apresentam-se ainda na versão masculina dos estilos vitoriano e rococó, também usado por rapazes.

Para além de ser difícil encontrar roupas para Lolitas, estas são dispendiosas. Por exemplo, uma simples blusinha pode custar cerca de 700€. Em Shinjuku, no Japão, a loja Maruíone dispõe de 4 andares de moda para Lolitas. Fora do Japão, este vestuário é vendido, na sua maioria, por lojas japonesas, através de sites.

O estilo ‘Lolita’ é divulgado em revistas como: Fotolog; Harajuku Lovers; Ghotic Lolita; Kera; Lolita Bible.

Maria Dhramamor