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segunda-feira, 1 de novembro de 2010

Memórias - Florbela Espanca

Fonte: Youtube
Guarde estas imagens na sua memória e... Escute! Quem melhor que Eunice Munõz, a adorada senhora do Teatro, para recordar Florbela Espanca?


FLORBELA ESPANCA (1894-1930) – Vila Viçosa (Alentejo) - Portugal

Uma Borboleta no Escuro

Ser mulher não é fácil, nunca foi fácil, muito menos numa sociedade hostil a todos os indícios de autonomia da mulher, fatalmente subjugada ao elemento masculino. Uma sociedade em que a submissão do feminino era incontestável e o casamento fundamental para a procriação da espécie humana. Decorria o ano de 1894 quando Flor Bela de Almada Conceição nascera, contra todas as regras estabelecidas por homens, assimiladas e padronizadas pela sociedade global, incluindo, obviamente, a espécie subalternizada (a mulher). Não havia absolvição pelo pecado do seu nascimento. Florbela, a bastarda, nascera culpada da sua condição e vivera a sua existência estigmatizada pelo meio austero e preconceituoso em que vivia, convertendo-se numa alma sedenta de amor, e plena de dor e fúria, – graciosa borboleta perdida no escuro.

Antes dos 10 anos escreve o seu primeiro poema ‘Vida e Morte’, revelando o seu âmago tumultuoso de menina, cujo desassossego se prolongará por toda a sua vida. Condenada pela sociedade pela sua ilegitimidade, Florbela arrasta três divórcios, que a desvirtuam ainda mais.

A sua poesia retrata o amor voluptuoso, triste e solitário e é uma súplica à sua própria vida desencantada; sua alma, uma mescla de sentimentos desencontrados que resultam da sua natureza delicada e trágica. A sua escrita despoletou críticas arrasadoras pela sua frontalidade, pela sua essência desnuda, simples, e ao mesmo tempo complexa.

A morte parece seduzi-la não só de forma lírica. Sua mãe, que sofria de neurose, deixa-a órfã na infância e já nessa altura Florbela começara a manifestar os mesmos sintomas, que se agravaram com o passar dos anos, tendo, inclusivamente, tentado suicidar-se por diversas vezes.

No dia do seu aniversário, exatamente a 8 de dezembro de 1930, Florbela decide que não quer viver. Suicida-se com barbitúricos, consagrando-nos a sua obra inolvidável.

Só é reconhecida pelo grande público após a sua morte, pela publicação de ‘Charneca em Flor’ pelo professor italiano Guido Batelli, que, na altura, em visita à Universidade de Coimbra se interessara pelo seu estilo ímpar. Perante o sucesso da publicação explora as obras da autora, despoletando polémicas.

Florbela Espanca não foi só Poeta, como tradutora, jornalista, declamadora e ativista do Movimento de Emancipação Feminino, somando assim, mais um motivo para a sua marginalização. Era demasiado inquieta para a época.

Hoje, inspiração universal, os seus poemas são narrados e cantados por poetas e artistas. Cantam-na os Trovante, A Ala dos Namorados, Mariza, declama-a Eunice Munõz, Miguel Falabella, entre tantos outros.

João Maria Espanca, seu pai incógnito, não poupara meios para proporcionar-lhe formação académica, contra as mentes fechadas da época. Ao ingressar na Faculdade De Direito da Universidade de Lisboa tornou-se uma das primeiras mulheres a frequentar o ensino universitário no Portugal machista de então.
Contudo, João Maria Espanca só a perfilhou cerca de 20 anos após a sua morte. Sua mãe, Antónia da Conceição Lobo, 'criada de servir', seduzida e abandonada, não passara de uma pobre mulher, mas cujo nome jamais se apagará no tempo, ao conceber uma criatura notável como ‘Florbela Espanca’, nascida para a eternidade.

Maria Dhramamor

Mais….Espólio. ("Florbela Espanca",. Lisboa: Arcádia, 1979; 3ª ed., Guimarães, 1998)
Augustina Bessa-Luis - Vida e Obra de Florbela Espanca


Obras da Autora
Publicadas em vida:
Livro de Mágoas (1919)
Livro de Sóror Saudade (1923)


Postumamente:
Charneca em Flor (1930).
Cartas de Florbela Espanca, publicada por Guido Battelli (1930).
Juvenília (1930).
As Marcas do Destino (1931, contos).
Cartas de Florbela Espanca, publicada por Azinhal Botelho e José Emídio Amaro (1949).
Diário do Último Ano Seguido De Um Poema Sem Título, com prefácio de Natália Correia (1981).
O livro de contos Dominó Preto ou Dominó Negro, publicado em 1982.


Fonte: Google – Wikipédia; www.mulheres-20.ipp.pt/Florb-Espanca.

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