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segunda-feira, 10 de janeiro de 2011

Letras - Isabel Ferreira


Fonte: Google - http://umacertaangola.blogspot.com/
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ISABEL FERREIRA é sobretudo escritora (poesia e contos) e conferencista. Digo sobretudo, pois esta autora multifacetada tem também uma veia artística, responsável pelo seu envolvimento no mundo do espetáculo, no passado. Nasceu em Luanda, Angola, a 24 de Maio de 1958.

É uma mulher do mundo, pois vive entre a sua cidade natal, o Rio de Janeiro, Montreal e Lisboa, para além de uma agenda cheia de conferências que a levam a viajar pelo México, Canadá e outras cidades do Brasil na divulgação da literatura angolana.

É uma autêntica guerreira que desde cedo aprendeu a batalhar sem nunca se deixar vencer pelas vicissitudes da vida, desde a infância, à adolescência vivida em plena guerra civil. O sofrimento por que passou não foi uma barreira à sua evolução como ser humano, pelo contrário, transformou-se num desafio que a levou a vencer grandes obstáculos.

Licenciada em Direito, exerceu advocacia no Lubango, sul de Angola, tendo antes lecionado em Luanda e experimentado o ensino de deficientes mentais, experiência que terá certamente enriquecido a autora sob um prisma diferente. Apaixonada pela arte da representação apostou no Curso de Dramaturgia na Escola Superior de Teatro e Cinema, na Amadora, em Portugal, mas foi o mundo da escrita que mais a seduziu.

Nas suas obras, Isabel Ferreira retrata a cultura da sua gente, o seu tradicionalismo, e as contradições nascidas dos sentimentos de um povo otimista apanhado pela guerra e as suas consequências.

O seu primeiro livro de poemas foi lançado em 1995, mas foi o segundo trabalho de poesia que começou a despertar atenções, tendo merecido a consideração de alguns vultos da escrita angolana, como Tranjano Nankova, que escreveu o prefácio da obra.

‘Fernando D’Aqui’ (2005), seu primeiro conto, lançado na Academia Brasileira de Letras, foi prefaciado pelo reputado escritor português Urbano Tavares Rodrigues e tem sido reconhecido não só no Brasil como em Portugal e nos PALOPs.

Em 2007, ‘À Margem das Palavras Nuas’ foi um êxito que fez esgotar prateleiras.

‘O Guardador de Memórias’ (2008), lançado em Luanda, encontra-se publicado no mercado internacional literário, nomeadamente nos EUA, Canadá e Portugal.

As suas obras constam de diversas antologias.

Livros de Isabel Ferreira

LAÇOS DE AMOR
 CAMINHOS LEDOS
 NIRVANA
 À MARGEM DAS PALAVRAS NUAS
 FERNANDO D`AQUI
O GUARDADOR DE MEMÓRIAS

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INFORMATION/ INFORMACIÓN/ INFORMAZIONI.
Google
http://www.izabellferreira.com/perfil.htm
pt.wikipédia.org/wiki/Isabel-Ferreira


ENGLISH - Poet and writer (short stories). She was born on 24 May 1958, in Luanda (Angola/ Africa). Her books are published in the international book market.

FRANÇAIS - Elle est l’auteur de livres de poésie et des contes, est née le 24 Mai 1958 à Luanda, Angola (Africa). Ses livres sont publiés dans le marché international.

ESPAÑOL - Autora de libros de poesía y cuentos, nació el 24 de Mayo de 1958 en Luanda, Angola (África). Sus libros se publican en el mercado literario internacional.


ITALIANO - Scrittrice di poesie e racconti, nacque a Luanda, Angola (África), il 24 Mag 1958. I suoi libri sono venduti sul mercato internazionale letterario.

terça-feira, 4 de janeiro de 2011

Um Homem Importante

Por: Maria Dhramamor

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SOLILÓQUIO

Alcoólatra inveterado. Fiel amante da boémia. Eu! O que se extingue nas brumas impercetíveis da inconsciência, como um animal ferido numa contenda sanguinária contra um inimigo oculto indomável.

Nem tu, Noémia, minha querida, que me acolhes no teu colo macio, nem tu sabes Noémia, dos meus fantasmas. Nem tu, mãe, que me protegeste no teu ventre morno e húmido, nem tu, pai, que estando tão perto, nunca me conheceste. Só eu sei dos meus fantasmas, mas todos sabem das minhas bebedeiras, aí, ao fundo, na tasca mais rasca da Baixa, abraçado às prostitutas mais ternas da Praça da Figueira. Todos me ouvem chegar já alta a madrugada, sustendo penosamente o corpo nas pernas trémulas, a cantar excertos de um fado cuja letra nunca aprendi.

E todos gritam, ‘vai-te embora ó desgraçado!’, até tu, Noémia, minha querida de colo macio, até tu me gritas! São vocês os que me atiram correntes para os pés e me arrastam pelos bordéis mais degradantes da cidade. Mas tu, Ana, dos grandes olhos negros e tristes, ouves o meu grito e eu aproveito para explodir. Solta-se-me a raiva e choro. Aquela criança, Ana, que eu vi morrer numa mina; aquela aldeia que devastei a rir como um desalmado –, era a vitória, Ana, a vitória que me deu medalhas e honrarias e que me roubou Isabel, a minha primeira namorada, a minha única namorada. Só tu sabes, Ana, minha menina dos olhos tristes, filha dos prostíbulos mais sórdidos desta cidade moribunda. Só tu sabes, abraça-me com força, esmaga a minha alma, os meus pecados. Amar-te-ei à distância porque não te mereço.

Mandas-me embora, implorante, é o desvelo que te obriga a apartares-te de mim. Vou precisar dos teus afagos antes de adormecer, porque terei medo. Eles virão para me julgar. Virão amordaçar-me o coração e fazer-me sangrar até à exaustão e eu gritarei mais uma vez, maldita a guerra que nunca foi minha e mais uma vez tentarei escapar-me com o olhar alucinado, bendita a morte Ana, só tu sabes como é bendita a morte porque todos, todos voltarão a delatar a minha demência e até Noémia, a minha querida de colo macio irá apontar-me o seu dedo longo «seu esquizofrénico, vou abandonar-te», enquanto aguardo ansioso pelo alvorecer, mergulhado na minha insanidade. Ah… sussurrarei então poemas de Pessoa e de Neruda a Isabel, o meu primeiro amor. ‘Eis o abandonado’. Eu. Apenas tu, Ana, filha do infortúnio, apenas tu me entendes.

Impressiona-me o perfeito ator que sou, o protótipo do homem feliz e bem parecido. O sorriso personificado nas manhãs frescas. Enquanto os meus juízes tentam perscrutar-me o âmago com olhares mordazes, sorrio. Sabem das minhas noites de boémia, notam-no nos meus olhos raiados de sangue, nos meus lábios entumescidos pelo álcool.

Estou em palco, minha hipocrisia é meu timbre, meu triunfo!

Alberto, João, Alzira, pouco importa quantos mais serão os propagadores da minha realidade distorcida. Tu, Alzira, elogias a minha gravata, tu, João, o meu fato lustroso, o meu gosto irrepreensível e tu, Alberto, a minha exímia acuidade. Sorrio sempre, bom dia, meus amigos, lindo dia! Sou a entidade máxima nesta empresa, o proprietário, o amo e senhor, e sou eu quem dita as regras! É isso que me faz sorrir –, a diferença entre o miserável que sou quando a noite cai, e o deus em que me transformo quando a manhã desponta. Sou, na verdade, um ator brilhante.

M.D.

Information/ Información/ Informazione

ENGLISH - An Important Man (written by Maria Dhramamor) - Monologue of a successful man living a psychological hell, plunged into alcoholism, from his past as a soldier in the portuguese colonial war.
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FRANÇAIS - Un Homme Important (écrit par Maria Dhramamor) - Monologue d'un homme qui a du succès, mais il vit un enfer psychologique, imbibé d'alcool, de son passé comme soldat dans la guerre coloniale portugaise.
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ESPAÑOL - Un Hombre Importante (escrito por Maria Dhramamor) - Monólogo de un hombre de éxito que vive un infierno psicológico, ahogado en alcohol, de su pasado como soldado en la guerra colonial portuguesa.
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ITALIANO - Un Uomo Importante (scritto da Maria Dhramamor) - Monologo di un uomo di successo che vive un inferno psicologico, imbevuto di alcol, dal suo passato di soldato nella guerra coloniale in Africa.