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sábado, 11 de junho de 2011

Sociedade - OKUPAS

 Fonte: Youtube


Quando o movimento 'okupa' o vazio...

Okupas? Brrr! Vadios, escumalha, miseráveis, etc, etc, etc…

Quando se fala em Okupas, associa-se à vadiagem, ociosidade, desordem. A palavra okupa deriva da palavra ‘ocupação’ e, na verdade, os okupas ‘ocupam’, não no sentido de vagabundagem, mas sim, manifestando o seu anarquismo, que, contrariamente ao que a maioria pensa não tem a ver com desordem, mas sim, ausência de coerção, de imposições.

Os Okupas são um movimento libertário formado por anarquistas, revolucionários, ecologistas, hippies, punks, entre outros movimentos de contracultura, que se manifesta contra a especulação imobiliária, consumismo, burguesia e autoridade. Instalam-se em espaços devolutos, sem permissão dos proprietários e tentam recuperá-los através da renovação física e animação, promovendo a sociabilização com atividades culturais e lúdicas, num contexto de igualdade social.

O seu slogan contestatário ‘tanta casa sem gente e tanta gente sem casa’ – justifica esta atitude, vista, de forma geral, como violação de domicílio ou perturbação da vida privada, ou seja, um ‘crime’ perpetrado contra o Sistema. No entanto, em alguns países cuja lei tolera esta ação, poderá haver cedência por parte de proprietários, estabelecendo-se un intercâmbio, em que, perante a ocupação, os ‘okupantes’ se encarregam da preservação do espaço.

Em Portugal, este movimento teve início no Porto, nos anos 90, e tem-se espalhado por todo o país, com forte incidência nos centros urbanos. Alguns okupas como Paula Parreira (Cascais), Miguel Rosas (Sacavém) e Zé Pedro foram dos primeiros a dar a cara aos média. Miguel Rosas fundou um pequeno centro cultural com ateliers de pintura e fotografia frequentado por alguns jovens, dinamizando assim o espaço que se encontrava em degradante estado de abandono.

Este movimento, em expansão pelo mundo, tem sido fortemente reprimido por forças de intervenção policial, tendo-se registado continuamente ocorrências que têm provocado manifestações não só por parte de okupas como de populares que apoiam as suas ações.

Em Lisboa, A Kasa Enkantada foi demolida sob fortes protestos, em 2002. Célebre pelos seus concertos, biblioteca, cursos de culinária vegetariana, entre outras atividades, oferecia ainda refeições por apenas 1 euro, para além de serem manifestamente contra a droga. Várias bandas portuguesas foram associadas a este movimento, fonte de motivação para muitos jovens, alguns dos quais, sem rumo.

Outro centro de Okupas que se notabilizou foi a Casa das Atochas, em Corunha (Espanha), onde se promoviam atividades de lazer, culturais e políticas, sendo a propriedade de um abastado cidadão que mantinha o local abandonado. O espaço foi encerrado a 12 de abril de 2011. A situação tem desencadeado diversas manifestações da parte de Okupas e simpatizantes.

A 10 de maio de 2011, a escola primária do Alto da Fontinha, no Porto (Portugal), abandonada há 5 anos, onde o movimento desenvolvia projetos educativos no bairro promovendo atividades escolares e lúdicas foi invadida pela polícia, com vista ao seu encerramento. Os jovens queixaram-se da violência policial e das agressões com que foram expulsos. Cerca de 50 pessoas, nomeadamente professores davam aulas gratuitas a crianças. O grupo apresentou uma queixa-crime contra a Câmara do Porto e fomentou manifestações pacíficas (musicais) para chamar a atenção da comunidade. Apoiados pelos moradores, garantem que a luta vai continuar neste ou noutro espaço. Foram detidos sete okupas.

Em Inglaterra são chamados de ‘Squatters’, e em Londres, este movimento ocupa casas nos bairros de elite. Patrulham casas vazias e se ao fim de 3 meses não aparece ninguém, ocupam o espaço, incluindo os edifícios da Coroa. Em Londres, o 'Squat 121 Center', após 18 anos de ocupação, foi encerrado em 1999. Revolucionários e ecologistas que ocupavam o local procuravam alternativas no sentido de apoiarem os desafortunados sociais, não se coibindo de pesquisar o lixo de feiras e supermercados para aproveitar excedentes, transformados posteriormente em alimentação para centenas de pessoas carenciadas.

Espanha atingiu, nos anos 60 e 70, o apogeu da ocupação de espaços abandonados, embora só nos anos 80 adoptassem a designação de Okupas.

A Holanda aplicou recentemente uma lei que prevê até 2 anos de prisão por ocupação indevida. No entanto, existem cerca de 1.000 edificios ocupados ilegalmente. Aqui, os Okupas são chamados de ‘Krakers’.

No Brasil, os squatters surgiram nos anos 90. Celebrizaram-se em Curitiba, a ‘Kaazaa’ ; em Porto Alegre, a ‘Kasa da Kultura’. Em Curitiba, o ‘Squat Payoll’ distribui livros e outros artigos ‘krakers’ em apoio aos anarquistas sem-teto de Amsterdão.

Os squatters fazem circular os ‘zines’, jornais artesanais de pequenas tiragens, e mantêm contactos nacionais e internacionais para veiculação da informação sobre o movimento.

Símbolo Okupa


Tanta casa sem gente e tanta gente sem casa’ - o Sistema antepõe os seus interesses, mergulhado na indiferença. ‘Gente sem casa e casas sem Gente’ desfeiam, agridem e ferem o cotidiano do mundo.

Mais informações em:

Maria Dhramamor

3 comentários:

marcia disse...

Boa Noite
Achei interessante o modo como disfrutam desse espaço. Gostaria de visitar uma okupa para poder presenciar e aprender um pouco mais.
Sou aluna de fotografia e ja fotografei algumas okupas em Barcelona, gostaria de repetir a experiencia. É possivel saber onde posso encontrar okupas no Porto?

Obrigada =)
Márcia Fontes

maria dhramamor disse...

Oi, Márcia! Obrigada pelo teu interesse. Na página inicial deste blog, de Janeiro/2012, está a minha resposta, em msg especialmente para ti. Desculpa só agora responder. Quando quiseres colocar alguma questão por email: mariadhramamor@gmail.com. Bj. M.D.

Anónimo disse...

De facto, num Portugal boçal e ignorante, o movimento okupa é subestimado e incompreendido.

Isto acontece também por que existe uma divisão meramente propagandista entre o movimento okupa e os movimentos nacionalistas, quando afinal estão ambos do mesmo lado, lutando por uma sociedade mais justa,liberta da opressão do regime demagógico português.

No dia em que nacionalistas e okupas unirem as mãos e se reconciliarem enquanto patriotas, a mudança pode mesmo acontecer.