CAIXINHA DE CULTURA - A não perder...

Arte e Cultura? Não hesites! Entra já em...CASTINGSTARS - Comunidade de Artistas Portugueses http://www.castingstars.ning.com

COFFEEPASTE - se és artista e procuras trabalho...
http://coffeepaste.blogspot.com/

PORTAL CRONÓPIOS - onde escritores e artistas se expressam no seu todo. Leia, veja os vídeos, oiça entrevistas em
http://www.cronopios.com.br

domingo, 12 de agosto de 2012

Memórias - Phillis Wheatley


Phillis Wheatley (escrava e poeta) 
Poeta (1753-1784) - Senegal/ Gâmbia?

Tesouro de ébano

Supõe-se que Phillis Wheatley tenha nascido na Gâmbia ou no Senegal...  Afinal, que importância tinha a data de nascimento de um escravo?
Tal como sucedera a inumeráveis seres humanos, Phillis Wheatley foi arrancada das suas raízes a ferro e fogo e vendida como se vende um objeto perecível e descartável, embora não passasse de uma criança. E assim partira para a América do Norte, rumo a uma sociedade profundamente esclavagista e cruel. Contudo, a vida de escrava abre-lhe as portas para um mundo que lhe permitirá perpetuar a sua existência de forma brilhante.

Phillis havia sido uma prenda de John Weathley à sua mulher e, como acontecia com muitos escravos, o seu 'dono' concedera-lhe um nome (o do navio negreiro que a transportara) e o seu apelido. Não obstante, John Weathley era um progressista cujo conceito em relação ao feminino ultrapassava as mentalidades da época, e ao aperceber-se das aptidões de Phillis, permitiu-lhe uma educação esmerada independentemente da sua condição de escrava. No início da adolescência já lia autores clássicos como Homero, Virgílio, Alexander Pope, entre outros, mostrando particular interesse por temas bíblicos; e perante o seu talento para a escrita, foi retirada do trabalho escravo e permitido o seu desenvolvimento educativo. Jovem ainda, começa a escrever poesia, influenciada por vultos literários e desperta o interesse não só de amigos e familiares do seu mentor como de personalidades da época.

Surpreende, ao publicar um poema dedicado a George Washington, primeiro presidente dos Estados Unidos da América, que exprime os seus agradecimentos convidando-a a visitá-lo em sua casa. A imprensa aplaude P. Weathley, agora poeta conhecida e discutida em salões, e John Wheatley decide libertá-la da escravidão. Em 1773, Nathaniel, um dos filhos dos Wheathley, tem de se deslocar a Londres por questões de saúde e Phillis acompanha-o. Será o início de uma era esplendorosa, em que parte da sua obra é publicada em Londres.

Na época, era difícil aceitar que um indivíduo de raça negra fosse um ser inteligente ou sensível, tendo sido a autoria do seu trabalho contestado. Phillis Weathley tem então a ousadia de se tornar a sua própria defensora para provar a autenticidade dos seus poemas. Enquanto alguns membros influentes da sociedade americana tentavam suprimi-la da sociedade literária, os ingleses não hesitaram em publicar e elogiar o seu trabalho,  defendida por elementos proeminentes na sociedade, entre condes e condessas, tendo impressionado  até mesmo Voltaire.

A poeta constitui família, contudo, a guerra e as privações são-lhe funestas, acabando por perder o marido na prisão, por endividamento. O declínio não extingue a sua poesia, que abrange uma diversidade de temas que raramente abordam a sua própria vida, incluindo elegias, que refletem a sua visão dolorosa da existência. O classicismo, o abstrativo e o religioso são primordiais na sua inspiração. A viuvez aumenta a sua penosidade e trabalha como nunca trabalhara durante a sua vida de escrava. Teve três filhos e, numa sequência dramática, nenhum sobreviveu; o seu último filho morre horas depois da sua própria morte, aos 31 anos de idade.

Não se lhe conhecem obras extensas sobre o esclavagismo e a sua condição de escrava, talvez por ter sido uma privilegiada ou, quem sabe,  vítima de um terrível engano que a atirou para um patriotismo ilusório.

Têm sido realizadas várias homenagens, destacando-se, em Novembro de 1973, o festival de poesia em sua honra no Jackson State College no Mississippi.

Phillis Weathley deixa-nos um sublime legado poético que tem sido objeto de estudo por parte de eruditos, sendo considerada a poeta dos escravos da América colonial e percursora do abolicionismo, e a primeira negra afro americana a publicar poesia cujas obras foram incluídas em antologias e citadas na época. Muitas obras têm sido escritas sobre o seu trabalho, encontrando-se uma vasta gama disponível em universidades dos EUA e do Reino Unido.

Encontra-se imortalizada, em estátua de bronze, de Meredith Bergmann, em Boston, entre a Commonwealth e Fairfield Streets, em memória das mulheres de Boston.

Obra de Phillis Weathley
An Address to the Atheist and An Address to the Deist (1767) / To The King’s Most Excellent Majesty (1768) / Atheísm (1769) / An Elegaic Poem On the Death of that Celebrated Divine, and Eminent Servant of Jesus Christ, The Reverend and Learned Mr. George Whirthefield (1771) / A Poem of the Death of Charles Eliot (1772) / Poems on Various Subjects, Religious and Moral (1773) / To His Honor the Lieutenant Governor on the Death of Her Father, The Rev. Mr John Moorhead (1773) / An Elegy, Sacred to the Memory of the Great Divine, The Reverend and the Learned Dr. Samuel Cooper (1784) / Liberty and Peace, A Poem (1784)


                        Maria Dhramamor

fontes:
http://www.jstor.org/pss (The journal of Negro Education) - 'Analyses of Selected Poetry of Phillis Weathley.
http://www.poetryfoundation.org/bio/phillis-weathley (Poetry Foundation ) por: Sondra A.O'Neale, Emory University

Sem comentários: