CAIXINHA DE CULTURA - A não perder...

Arte e Cultura? Não hesites! Entra já em...CASTINGSTARS - Comunidade de Artistas Portugueses http://www.castingstars.ning.com

COFFEEPASTE - se és artista e procuras trabalho...
http://coffeepaste.blogspot.com/

PORTAL CRONÓPIOS - onde escritores e artistas se expressam no seu todo. Leia, veja os vídeos, oiça entrevistas em
http://www.cronopios.com.br

quinta-feira, 10 de outubro de 2013

Eu, amputada social

OBRIGADA!
M Dhramamor (autorretrato)

2013. O desencanto a acompanhar os factos da vida, o desencanto das noites perdidas em cálculos economicistas delirantes numa desesperada busca de meios de sobrevivência. Eu, entre milhares, que na calada das noites e na luminosidade vibrante dos dias calcorreia a mente, procura caminhos em becos sem saída. Os valores de Abril a desfazerem-se como bolhas de ar num mar tormentoso. A crise que nos atira para outras crises concretamente existenciais que há muito julgáramos ter ultrapassado.

O mundo transformou-se numa pequena bolha onde tudo acontece de forma vertiginosa, a desumanização a tomar o poder e nós a cairmos na habituação como se nada pudesse ser alterado. Somos possuídos pelo sentimento coletivo utópico que atinge os desesperados.
A fome que nos atinge, não só o estomago, não só a alma; uma fome de ser, de estar, de viver; o olhar ausente dos idosos sem esperança, as crianças que deixam de ser crianças para viver o doloroso dilema da miséria doméstica, o nascimento crescente de seres de membros amputados pela austeridade governamental cega e assassina.

ECCE HOMO!

Eu, amputada social, deixei-me mergulhar nas tormentosas ondas da desesperança e deixei que as palavras fossem diluídas no meu torpor mental para se transformarem em passos determinantes nas calçadas de Lisboa, no meio da multidão que esbraceja e reclama o pão.

Eu, amputada social, na minha luta pela sobrevivência deixei de escrever neste blogue, determinada a escrever palavras transparentes no ar que respiro, ciente de que, um dia, acordarei com uma nova realidade, porque a desumanização de uns trará uma nova perspetiva social, justa, equitativa e a palavra utopia será banida por aqueles que sempre acreditaram no meio do descrédito.

Eu, a amputada social, entre milhares, perdi o direito à habitação, ao trabalho, e por consequência a uma vida condigna vejo-me obrigada a pular as barreiras constantes que encontro pelo caminho, cada vez mais altas, mais dilacerantes.

Por momentos, perdi o rumo.

Por momentos, caí na tentação de deixar-me resvalar para o fundo do poço.

Por momentos, simplesmente desisti.

E pensei…

E se todos desistirmos?

A vida será nada e todos os valores serão simplesmente diluídos como se nunca tivessem existido. E será uma deslealdade para com aqueles que um dia ofereceram as suas vidas para que o mundo fosse um lugar melhor.

Ao abrir este blogue após meses de silêncio, descubro que a vida não parou. Encontro mensagens que me fazem sentir que a inutilidade não existe em mim.

Agradeço em todos os idiomas aos milhares de leitores deste blogue das diversas partes do globo, pois são o motor que o movimenta, que o mantém.

Obrigada.

Maria Dhramamor

2 comentários:

Anónimo disse...

Gostei!

Luis Cruz disse...

Maria, identifico-me profundamente com o teu texto. Tocou-me no fundo. Esta crise é uma m... Parabéns pelo texto.